segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dogville, quid pro cuo e estoicismo

Olá! Escolhi esse tema, pois abrange amantes do cinema, da filosofia e de linguagens, espero que gostem. Dogville é uma co-produção entre diversos países que busca retratar o ser humano como mesquinho, egoísta, cruel e arrogante. Apesar da simplicidade da filmagem – o filme todo se passa em um galpão e cenas cotidianas, como abrir portas, foram cortadas - é sem dúvida uma obra prima que retrata de maneira eficaz o interesse que move toda uma cidade. Tom, o personagem principal, é um covarde, que não assume suas próprias responsabilidades, e vive em uma cidade em que as pessoas agem apenas por suas necessidades físicas e seus próprios interesses. Grace, personagem que aparece de forma misteriosa, acaba se tornando escrava física e sexual em prol de que a cidade conserve seu segredo. Apontado como antiamericano – afinal Dogville se localiza nas Montanhas Rochosas e retrata o período da crise de 29 – a população poderia pertencer a qualquer outra cidade ou qualquer outra época. O filme sofre influência do estoicismo, corrente filosófica que enfatiza a ética como o principal foco do conhecimento humano e, contrariando o enredo, defende que todas as pessoas são manifestações de um espírito universal único e devem ajudar-se uns ao outros. Outra referência do filme é ao “quid pro cuo” frase latina que significa “tomar uma coisa pela outra” e, em línguas derivadas do latim compreende confusão. O irônico é que a frase que pressupõe engano de compreensão foi erroneamente assimilada pelo inglês como “troca de favores”, e é está troca de favores que rege as relações de Grace com a população de Dogville. O filme, apesar de monótono, é um dos meus preferidos e vale a pena ser visto, por envolver discussões filosóficas e referências consideráveis, e pode mudar sua visão de mundo. 

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                                                                   Por Julia Cruvinel


Um comentário:

  1. Além do texto ser bem escrito, tem download também, que lindo. Vejam a continuação, Manderlay, é ótima também.

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