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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Le Cinéma e Amélie Poulain

Bem, ao ouvir sobre cinema, é comum o associarmos a Hollywood, aos Estados Unidos ou até mesmo a tão popular e rico hoje em dia, Bollywood (cinema indiano). Mas não foi bem assim que tudo começou. Ao analisarmos a história do cinema, descobrimos a essencialidade da França nesse meio de manifestação cultural. Eu poderia dizer que essa importância deve-se a seu pioneirismo tecnológico, os franceses – os irmãos Lumière, no Salão Grand Café em Paris - foram os primeiros que fizeram uma apresentação pública de um invento chamado “Cinematógrafo” que causou comoção geral na plateia de pouco mais de 30 pessoas e, em pouco tempo, se alastrou pela Europa; antes ainda, os irmãos - também franceses - Ampére (sim, os da corrente elétrica na física) inventaram as primeiras câmeras, possibilitando as filmagens.

Mas não, acredito que o diferencial francês foi fazer um cinema brilhante, inovador e minimamente trabalhado. Quero dizer, sabe quando os filmes eram em preto e branco, mudos e com (d)efeitos especiais? Então, seus criadores gastavam horas e horas trabalhando neles, desde a parte de produção, figurino, trilha sonora, escolha do elenco, fotografia, efeitos ... E depois editavam os filmes manualmente. Sim, naquela época, as câmeras eram de filme, daí, a partir dos negativos, era possível manipular e criar uma explosão, por exemplo, desenhando-a no negativo, ou cortar uma cena indesejada simplesmente cortando o pedaço. O grande mestre disso foi o ilusionista Georges Méliès. Seu trabalho mais conhecido foi “Le voyage dans la Lune” que, mais que isso, foi a primeira ficção científica e o primeiro filme sobre alienígenas. A cena épica do filme é quando uma nave pousa no olho do “Homem lua”. Agora imagina produzir-se uma cena assim ano de 1902. Um pouco mais sobre a história de Georges pode ser encontrada no livro e no filme “A invenção de Hugo Cabret” – que é maravilhoso e mostra o funcionamento desse procedimento. 
Além de todo o cuidado com a edição, é preciso citar a intensidade das narrações, com temas sempre tão profundos e cenas que realmente emocionam. Eles têm uma perícia incrível em unir realidade e fantasia, com histórias que nos identificamos. Ainda, a fotografia mexe muito com a oposição de cores e a saturação, que, além de prender nossa atenção, exaltam a emoção do enredo. A trilha sonora, sempre impecável. Bom, hoje, o cinema francês está cada vez mais apurado e é o mais dinâmico da Europa. Poderia indicar os filmes “O ódio” – que é bem vintage -, “Os coristas”, “Léon: the Professional” – que tem a Natalie Portman com apenas 12 anos – e “Potiche, esposa troféu” – incrível filme do Ozon sobre o feminismo.


Mas não poderia deixar exaltam um pouco mais o meu clássico preferido: Le fabuleux destin d’Amélie Poulain. O filme conta a história de uma menina que cresceu isolada. Isso porque, nas consultas mensais que ela tinha com seu pai, que era médico, seu coração batia acelerado. Esse era o único contato familiar que ela possuía, por isso ficava tão exaltada. Daí acharam que ela tinha uma anomalia no coração e privaram do mundo externo. Não é super fofo e bem pensado? Como se não bastasse, logo sua mãe morre e ela fica cada vez mais solitária. 
Tudo muda no dia em que ela, já adulta, encontra no banheiro de seu apartamento uma caixinha de 
pertences de uma criança, que havia morado lá. Ela
 faz uma super busca e acaba encontrando o dono, que fica totalmente feliz, mas não descobre quem realizou a boa ação. A partir daí, Amélie tem um novo objetivo: realizar, a partir das mínimas coisas, a felicidade das pessoas. E não pensem que foi fácil, o filme é bem realista ao mostrar que nem sempre as coisas dão certo. Uma coisa que ela fala e que eu gosto de relacionar a personagem é "Talvez ela apenas seja diferente", isto é, Amélie não é como os outros; ela se preocupa, aproveita cada momento e se permite ser exatamente o que é. A  jornada altruísta é surpreendente, emocionante e com certeza, muda o telespectador. Além disso, tem a cinematografia mais incrível que já vi. Um filme inesquecível.  

Por Julia Cruvinel




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

121 anos de J.R.R. Tolkien


Podemos dizer com certeza que as obras de J.R.R. Tolkien nunca foram tão populares quanto na atualidade, com os filmes da trilogia "O Senhor dos Anéis", e mais recentemente "O Hobbit" alcançando enorme sucesso nas bilheterias por todo o mundo.
O autor nasceu em 03 de janeiro de 1892, ou seja, hoje estaria completando 121 anos de idade. É incrível pensar que seus livros, escritos no início do século passado, continuam atuais e encantando gerações de leitores.
Por isso, nós do blog separamos algumas das nossas frases preferidas de Tolkien, pra relembrar o homem que revolucionou o mundo da fantasia com seus escritos e que influencia escritores até hoje.


"É estranho, mas as coisas boas e os dias agradáveis são narrados depressa, e não há muito que ouvir sobre eles, enquanto as coisas desconfortáveis, palpitantes e até mesmo horríveis podem dar uma boa história e levar um bom tempo para contar." - O Hobbit.

"A guerra deve acontecer, enquanto estivermos defendendo nossas vidas contra um destruidor que poderia devorar tudo; mas não amo a espada brilhante por sua agudeza, nem a flecha por sua rapidez, nem o guerreiro por sua glória. Só amo aquilo que eles defendem." - Faramir, em O Senhor dos Anéis.


"É um habito dos velhos: escolhem, para com eles conversarem, a pessoa mais sensata entre as presentes. As longas explicações de que os jovens precisam são fatigantes." - Gandalf, em O Senhor dos Anéis.

"Até mesmo a menor das criaturas pode mudar o rumo do mundo." - Gandalf, em O Senhor dos Anéis.

"Desleal é aquele que se despede quando a estrada escurece." - Gimli, em O Senhor dos Anéis


"É sempre assim o curso dos fatos que movem as rodas do mundo: as mãos pequenas os realizam porque precisam, enquanto os olhos dos grandes estão voltados para outros lugares." - Elrond, em O Senhor dos Anéis.

"Mas descansa se precisas de descansar. No entanto, não percas toda a esperança. O amanhã é desconhecido. O conselho vem muitas vezes com o nascer do Sol" - Legolas, em O Senhor dos Anéis.



"O que realmente importa na vida é o que se faz com o tempo que nos é dado." - Gandalf, em O Senhor dos Anéis.

E lógico, não poderia faltar:



                                       "MY PRECIOUSSSSSSSSSSSSS...." - Gollum.

Hehe. Por fim, deixamos vocês com o trailer do filme "O Hobbit", lançado em Dezembro o ano passado, vale a pena ver!






quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Filme: Warm Bodies



Depois do enorme sucesso que fizeram nos últimos tempos histórias românticas envolvendo  vampiros, lobisomens entre outros monstrengos,  está sendo produzido o longa "Warm Bodies", que será lançado no Brasil sob o título "Meu Namorado é um Zumbi".

Baseado no livro homônimo de Isaac Marion, o filme é uma comédia romântica com zumbis (é....) e conta a história de "R", um jovem defunto que não tem nenhuma lembrança de sua vida anterior e vaga pela cidade em sua caçada instintiva por cérebros humanos.

Tudo isso muda quando ele encontra Julie, uma garota humana que por alguma inexplicável razão ele precisa desesperadamente proteger. O envolvimento dos dois desencadeia uma série de eventos que podem transformar ou até curar o mundo pós apocalíptico em que vivem.



Minha opinião sobre o filme? Eu sou uma grande fã de histórias de mortos-vivos e juro que tentei ao máximo me manter livre de preconceitos, mas pra mim zumbis sempre serão cadáveres deteriorados e sedentos por cérebro, e a ideia de que um deles possa ter sentimentos e chegar a se envolver em um romance simplesmente não me entra na cabeça! O filme tenta fazer com zumbis o que Crepúsculo fez com vampiros, e não sei se confio muito em qual será o resultado.

Confiram abaixo um dos trailers do filme:





E aí, o que acharam? Vão assistir quando lançar?


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Pulp Fiction

Oi galera! Hoje resolvi comentar sobre um clássico dirigido por Tarantino na década de 90, Pulp Fiction. O filme, que foi inspirado em um argumento escrito pelo próprio diretor e também por Roger Avary -outro produtor e diretor- não deveria passar de um curta metragem. Porém, com toda a inspiração que Black Sabbath (um filme italiano de terror, que contém três partes) ofereceu, veio a se tornar uma trilogia.

O nome do filme surgiu utilizando-se um conceito das antigas "pulp magazine", caracterizadas pela violência gráfica e tramas envolvendo crimes e situações mirabolantes. A narrativa se desenvolve no meio dessa mistura irônica de humor e hostilidade, na Los Angeles dos anos 90.

Contando com um elenco incrível, envolvendo Samuel L. Jackson, John Travolta, Uma Thurman e muitos outros, observamos o desenrolar de três histórias, contendo uma extensa quantidade de incidentes diferentes e desabituais, porém entrelaçadas. Onde protagonizam em cada uma delas: dois assassinos profissionais, o gângster que os chefia e sua esposa, um boxeador pago para perder uma luta e um casal assaltando um restaurante. Além desses, várias personagens desempenham funções que, apesar de pequenas, são essenciais para dar coerência e continuidade ao filme, que se apresenta fora de uma ordem cronológica, fugindo do habitual e prendendo a atenção do espectador.

Seria desleal resumir essa obra em um parágrafo  já que durante o filme apresentam-se diversas situações inimagináveis e surpreendentes, onde a ação se torna mais importante do que a causa. Sendo interessante observar o que os personagens fazem , e não o porquê. Lembrando sempre que o filme conserva uma essência altamente estilizada, demonstrada em sua estrutura e também em diálogos se referindo à cultura pop.



Curiosidades

 A palavra "fuck" é dita 265 vezes.
 Em homenagem ao filme "Os Imperdoáveis (1992)" Tarantino colocou um personagem chamado "English Bob" nesse filme.
 Nesse filme há uma mala que ninguém sabe o que tem lá dentro, na qual a combinação misteriora é 666.
 O Cigarro Red Apple aparece em outros filmes do Tarantino.
 A gasolina que foi usada por Mr Blonde em Cães de Aluguel é encontrada no porta-mala do carro de Vincent (um dos assassinos). Cães de Aluguel também é de Tarantino.
 Tarantino quase interpretou o traficante Lance - Como todos sabemos, o diretor acabou interpretando Jimmy e ficando muito chateado com um corpo na sua garagem.
 Cheirar heroína não provoca overdose - Mia Wallace (esposa do gângster) cai no chão após inalar a droga. Heroína acaba matando mais cedo ou mais tarde, mas essa seria a forma mais lenta, pois, o corpo demora absorver a droga.

Bom galera, espero que gostem do post, abaixo coloquei o trailer do filme, e o link para download:



 Download

                                                                Por Júlia Coelho

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Clockwork Orange

Olá! Hoje falaremos sobre esse filme singular e extraordinário. 'Laranja Mecânica' é um filme britânico de 1971, dirigido por Stanley Kubrick e é uma adaptação do livro de mesmo nome do escritos inglês Anthony Burgess. O filme é focado em Alex (Malcolm McDowell), um jovem que gosta desde música clássica - ele adora Beethoven - até estupro e ultraviolência e se passa em uma Inglaterra do futuro, porém super deprimida. Alex é o líder de uma gangue de 'arruaceiros', os quais ele se refere como 'druguis' e junto com esses 'amigos', ele espanca mendigos, estupra mulheres e rouba.

 Parece ultraviolento e repulsivo certo? E é. Mas e se, talvez, a sociedade seja bem pior? É mais ou menos isso que o filme tenta mostrar. De alguma maneira, o filme nos faz torcer pelo "cara mau" e isso porque analisamos toda a situação e o jogo de interesses que torna a vida líquida.
O mais interessante é o apelo artístico e a exacerbação; como na cena em que Alex e seus druguis são, finalmente, pegos pelas polícia, Alex e seus druguis invadem a casa de um escritor, o golpeiam, estupram sua mulher e, tudo isso, cantando "Singin' in the Rain" (aquele clássico dos clássicos dos musicais, sabe?) - e o pior, essa música foi escolhida apenas porque era a única que o ator, McDowell, sabia cantar inteira.
Alex é finalmente preso e, pelo interesse dos policias, ao verem nele alguém excepcional e, pelo interesse de Alex, de reduzir sua pena, ele entra em um programa e se torna cobaia de experimentos destinados a refrear os impulsos destrutivos do ser humano. E o resultado pode ser assustador - mas do que o próprio Alex do começo. Além de todo o debate a cerca dos níveis altos de violência, do estupro e da futilidade do jovem, o filme trás uma visão nova sobre a sociedade manipuladora, excludente e que tenta se conter. No fundo, será que refrear os impulsos destrutivos - naturais do homem - não o torna impotente para lidar com a violência que o cerca ou ainda impotente para simplesmente 'ser'?




 Com uma história inusitada, sensível, chocante, repugnante e, até mesmo, nojenta- as cenas são bem fortes - é possível extrair tantas reflexões do filme que é até difícil priorizar uma delas. Aposto que vai mudar, pelo menos um pouquinho, sua visão de mundo. 










Curiosidades sobre o filme: 

  • O filme cria uma linguagem - a nadsat -, utilizada por Alex, que mistura palavras em inglês, russo e gírias. 
  • É incontestável quão ícone cult o filme se tornou. Os seriados South Park e Os Simpsons, esbanjam referências a Alex e seus druguis. A banda Sepultura lançou, em 2009, o álbum A-lex, totalmente inspirado no filme. Em 2011, Alexandre Herchcovitch apresentou uma coleção inteira inspirada em Laranja Mecânica. Também, é épico se fantasiar de drugui e vários artistas já aderiram.
  • Burgess, o escritor, não aprovou totalmente a versão cinematográfica e se 'vingou' ao escolher um personagem bem parecido com Kubrick, o diretor, que levaria uma surra da gangue. 
  • A história ganhou uma versão em quadrinhos, que você pode conferir aqui.
  • Digamos que a gravação do filme não foi muito prazerosa para o ator principal, McDowell, já que ele arranhou a córnea e ficou temporariamente cego - na filmagem da cena do colírio. Teve costelas quebradas na cena de humilhação e quase se afogou de verdade, devido a uma falha no equipamento de uma das cenas. Se não bastasse, o diretor Kubrick, resolveu utilizar uma cobra de 'estimação', só porque sabia do temor que o ator tinha por elas.


Herchcovitch inspirado em "A Clockword Orange"

Bart e seus amigos de Alex e seus druguis


O filme foi MUITO polêmico, chegando até a ser retirado de cartaz, por conta das críticas. Também, o exagero e extravagância são sempre presentes. De qualquer maneira, o filme - com todo seu horror - faz referência a diversos setores, como de consumo, de moda, esportes, comportamento, religiões, políticos e penitenciárias; mudando nosso ponto de vista.









Por Julia Cruvinel e Júlia Coelho

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Playlist da semana: Chico Buarque

Olá! Essa semana a votação para playlist teve Chico Buarque - vencedor com 8 votos -, Caetano Veloso (3 votos), Marisa Monte (3 votos), Tom Jobim e Vinícius de Moraes (2 votos) e Elis Regina (1 voto). Sensacional fazer uma playlist do Chico e sim, foi muito difícil escolher apenas 6. Espero que gostem e votem na próxima Playlist da semana 'eletrônica' com Deadmau5, Justice, Daft Punk, Skrillex e Calvin Harris, vote!

Chico Buarque
Francisco Buarque de Hollanda, conhecido como Chico Buarque, é um dos maiores nomes do MPB. Além de compositor, ele também é escritor. Seu primeiro livro foi publicado em 1966 e continha manuscritos de composições, contos e uma crônica de Drummond sobre 'A banda'. Sobre esta música, foi com ela, interpretada por Nara Leão, que Chico revelou-se ao público, ganhando o primeiro Festival de Música Popular Brasileira. O seu romance 'Benjamin' ganhou até versão cinematrográfica em 2004. Além disso, fez parte do curso de Arquitetura e Urbanismo na USP. Também, ficou dois anos (69/70) no exílio por causa da ditadura militar e várias de suas músicas foram censuradas, afinal, denunciavam aspectos sociais e culturais da época. Ainda assim, ele teve tempo de produzir aproximadamente oitenta discos (ual) entre solos e parcerias. Começou a compor com apenas 9 anos. É compositor de "Construção" considerada uma das melhores músicas brasileiras já feitas. Chico é sem dúvida um dos maiores brasileiros de todos os tempos; e ainda surpreende em entrevistas com suas palavras doces e suas citações profundas (confira algumas a seguir).


  • "Que saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar..."
    "As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem."

    "Está provado, quem espera nunca alcança"

    "Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros, 
    juro."

    "E pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz."
















    Extra: Vídeo super fofo e engraçado do Chico contando sua reação quando ouve crítica e elogios na internet. Também, tem a resenha de "Geni e o Zepelim" aqui










    Por Julia Cruvinel e Júlia Coelho

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Especial Halloween - The Rocky Horror Picture Show: comédia satírica para marginalizados


Hoje é Halloween ou, no português, Dia das Bruxas e, apesar de não ser tão famoso no Brasil, representa um dia importante na cultura mundial. Há muitas controversas sobre a origem dessa comemoração, propondo versões católicas e pagãs – que incluem teorias de ocultismo; mas não é esse o foco do post, rs. Só para esclarecer, a origem do Halloween vem de tradições dos povos que habitaram a Gália e a Grã-Bretanha, entre 600 a.C. e 800 d.C. e, na época, não tinha a menor relação com bruxas: era apenas um festival do calendário celta que marcava o fim do verão (Samhain). Os doces, as fantasias de monstros, abóboras e a famosa “Gostosuras ou travessuras?” vieram bem depois, por influência dos Estados Unidos.

O Halloween é uma celebração da pluralidade, dos marginalizados e envolve dois mundos. O primeiro é idealizado; para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome ou dor e você pudesse ser quem quisesse. Já o outro, a realidade, era bem diferente; deveríamos nos ‘fantasiar’ todos os dias, para estarmos dentro dos padrões da sociedade. É um dia para livrarmos nossos ‘monstros’ internos e para sermos livres.
Sobre não ser muito comemorado no Brasil, tenho duas hipóteses. Ou é porque somos tão diferentes como povo que respeitamos essas diferenças diariamente – o que não ‘colou’ muito; ou é porque preferimos nem mesmo ter um dia para celebrar isso.  Para corroborar minha teoria, nada como um filme épico – pouco conhecido aqui no Brasil.

The Rocky Horror Picture Show
Dr. Frank, Brad e Janet
O RHPS é um musical de 1975 de Jim Sharman e Richard O’Brien. O filme faz uma viagem psicodélica pelo universo do rock, da comédia e do terror.  É sem dúvida um dos filmes mais loucos e sem sentido que já vi. Mas isso não significa que é ruim; muito pelo contrário, é divertido, critico e faz você – se for um marginalizado, diferente, ‘underdog’ – se sentir identificado. Em uma música eles dizem: “Queimando brilhante, há uma estrela-guia/ Não importa o que ou quem você é./ Há uma luz além do lugar do Frankestein”.

Basicamente o contexto do filme é: Brad e Janet são dois jovens noivos que decidem visitar um antigo professor, o Dr. Scott. Mas no caminho o pneu fura e eles acabam tendo que ir pedir ajuda em um castelo no meio da estrada. Para surpresa total, o castelo é de um cientista louco, travesti e transexual chamado Dr. Frank-N-Furter – sim, é uma paródia de Frankenstein. Esse cientista está trabalhando em um projeto no mínimo exótico: a criação de um homem perfeito, Rocky, que é loiro, com pele dourada e barriga 'tanquinho', além de sempre estar sem camisa.
É tudo meio que uma alegoria. 
Brad tem uma personalidade enrustida e julga saber tudo sobre o mundo e Janet é uma reprimida que busca se libertar das regras impostas pela sociedade. Dr. Frank personifica tudo o que não é convencional e expressa uma ruptura, um sentimento de liberdade não só sexual, mas sobre qualquer coisa.Tem uma cena muito interessante em que ele canta “Não sonhe que é, seja!” e isso gera todo um choque. O Dr. Scott representa ‘a sociedade’ – a razão, a lei – e tenta prender Dr. Frank. Logo, fica explícita a repressão da ‘sociedade’ contra o desigual. Durante o filme, o casal 'bonzinho' vai mostrando sua verdadeira personalidade e no final, são dois devassos.
Também há uma referência há aquele mundo real que citei acima em “E neste pobre planeta restou um bando de insetos/ De raça humana se chamou/ Perdidos no tempo, no espaço e na dor... Na dor”. 
Enfim, o filme apesar de louco e satírico - por isso tanto exagero - é uma crítica áspera sobre a sociedade, tem uma trilha sonora genial, vários (d)efeitos especiais - que são engraçados de tão ruins- e identificou tanta gente, que chegou a se manter em cartaz por cinco anos em alguns países. No Brasil, ele foi lançado só depois de cinco anos e não agradou muito o público, apesar de posteriormente ter-se feito a peça com a participação da, na época iniciante, Marisa Monte.

Alguns dos números musicais mais épicos: 




Por fim, vamos comemorar o Dia das Bruxas, celebrando mais que isso nossas diferenças, personalidades e opiniões. O Halloween é um dia para se ser quem quiser - não apenas sonhando - e nos orgulhar disso. Espero que vocês aproveitem esse dia! ;)

Por Julia Cruvinel

domingo, 28 de outubro de 2012

The Wall - O Filme

Olá galera! Resolvi escrever sobre um filme mais diferente hoje, "Pink Floyd The Wall", dirigido por Alan Parker, é baseado no albúm da banda Pink Floyd, The Wall. Representando o mundo no começo da década de 80, pode ser considerado um musical, ou até um videoclipe por apresentar todas, exceto duas, músicas do albúm. O filme conta a história de Pink (onde as músicas criam a história do protagonista, na verdade inspirado por Roger Waters), um roqueiro desgastado pelo mundo atual, que acaba enlouquecendo por suas lembranças! Desde cedo, sendo superprotegido pela mãe devido à perda do seu pai na 2ª guerra, sendo um "war baby", passa por desavenças na vida, em relação à sua bela mulher, que o abandona, e ao consumo excessivo de drogas, o que causou seu isolamento em relação ao mundo, simbolizado pelo muro! Escondido e retraído atrás da parede imaginária, Pink começa a se conectar ao passado, onde se vê como um ditador fascista e autoritário, líder de uma multidão de fanáticos. Após um colapso, Pink recita pedaços da canção "Stop", onde afirma querer deixar o "show" e ir para casa, revelando querer a volta de sua antiga vida. Porém, para isso tem que enfrentar um julgamento, onde os participantes são personagens medonhos e pessoas que vivenciaram e participaram de seus conflitos durante sua vida. O resultado de tal julgamento aponta que o muro deve ser destruído, alegoricamente uma nova oportunidade ao recomeço de sua vida!
Abaixo, coloquei o link do trailer:

 


Além de uma bela narrativa, o filme nos trás análises psicológicas e reflexivas. Como dizia o próprio Roger Waters, em sua ultima turnê onde tocava o album The Wall na integra, tal história não apenas representou sua vida em relação à algumas mulheres, mas sim à respeito de todos nós. Trazendo uma bela e diferente visão perante às relações sociais e obstáculos encontrados na vida de cada um.
Para quem se interessar, o link do filme completo e legendado se encontra abaixo:


Também coloquei um vídeo de uma música da última turnê de Roger Waters, "Comfortably Numb", onde contextualizando a música na história, ele se mostra dentro do muro, saudosista em relação à sua infância.


Espero que apreciem (:

Por Júlia Coelho

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Lixo extraordinário: de como a arte do lixão foi ao tapete vermelho

   Olá (: Esse post será sobre o documentário "Lixo extraordinário" que eu realmente indico. Ele é uma co-produção entre Brasil/Inglaterra e mostra o trabalho do artista plástico Vik Muniz - que é conhecido por tirar fotografias e recriá-las com objetos banais, tirando outra fotografia com o trabalho pronto; você pode conhecer a galeria dele clicando aqui. No documentário, o Vik sai de sua casa, nos EUA, e vai até o maior aterro sanitário do mundo: o aterro do Jardim Gramacho, no bairro periférico Duque de Caxias no Rio de Janeiro. Lá, ele monta um grupo com 7 catadores, que serão seus "modelos", e conhece um pouco da vida de cada um. As fotos serão tiradas no próprio aterro e depois, em um galpão, reproduzidas utilizando pequenos objetos que estavam no lixo, como em uma montagem. O resultado fica mais ou menos assim:

Fotografia original e fotografia "de lixo"

Galpão onde foram montadas as montagens
   No decorrer do longa, o trabalho fotográfico sai de foco e as questões pessoais dos "personagens" ganham destaque.
Ninguém escolhe ser catador de lixo, eles estão naquela situação - revolvendo, vivendo e até se alimentando em meio ao lixo, junto com urubus, ratos e o mau cheiro - porque não há oportunidade para eles. Fazendo isso, ainda trabalham dignamente, ao invés de entrar no tráfico de drogas, no crime ou na prostituição - fato inclusive citado pelos protagonistas.
É emocionante ver como mesmo naquela situação essas pessoas são de bem com a vida e reclamam tão pouco. Também, é triste ver como não existe auto-estima - principalmente nas mulheres - e como há falta de expectativa de vida ou de melhoria. Em um momento, um catador vê a câmera e diz "Filma nois aqui para o mundo animal". A cena poderia até gerar humor em outros momentos, mas nesse fica claro a degradação moral, social e humana à que essas pessoas estão submetidas, chegando a se compararem com animais.



   O filme nos faz refletir sobre até onde o mundo capitalista submete as pessoas para continuar seu ciclo competitivo; a sorte que nós temos e como, mesmo assim, reclamamos o tempo todo; e como uma pessoa ou um grupo pode sim mudar a realidade de muita gente. Explicando melhor essa última parte, o documentário foi um sucesso, ganhando vários prêmios - inclusive sendo indicado ao Oscar na categoria "Melhor documentário" em 2011 - e contribuiu para organizar a Associação dos catadores, afinal, todo o dinheiro arrecadado com a venda das fotografias foi revertido para a comunidade do lixão. Com a associação, várias melhorias na qualidade de trabalho dessa classe foram conquistadas e até um patrocínio da Coca-Cola foi fechado.
Outra coisa legal é que depois do sucesso, Vik não 'escondeu' seus modelos, muito pelo contrário, levou-os de black-tie para o tapete vermelho, para palestras - inclusive na Harvard - e lutou para condições mais dignas de vida para eles.


Foto do presidente da Associação, Tião Santos. Na foto há uma referência a Marat -
um dos líderes da Revolução Francesa que foi assassinado durante o banho.

Tião e Vik vendo o resultado

Realidade dos catadores
Produtora, Tião e Vik no tapete vermelho -
no detalhe, vestido "de lixo"

     Enfim, é um filme emocionante e que traz diversas discussões, deixando-nos com a sensação de "será que eu faço o bastante para ajudar?". E na verdade, será que nós fazemos o bastante? Fica a dica do documentário ;)






Por Julia Cruvinel

domingo, 14 de outubro de 2012

Projeto X - Uma festa fora do controle

    Você certamente já ouviu falar em "Projeto x", certo? Esse filme está bem popular e gera opiniões bem controversas. O enredo conta basicamente a história de três melhores amigos não populares que resolvem fazer uma festa de aniversário para Thomas - o protagonista e dono da casa - aproveitando uma viagem dos pais dele. Thomas diz que quer no máximo 50 pessoas, mas seus amigos mandam emails, mensagens e colocam até no craigslist (site de anúncios americano de integridade duvidosa, haha) e a festa realmente sai do controle e recebe cerca de 2500 convidados.

Com direito a ascensão popular, pessoas seminuas, quantidade exorbitante de bebidas alcoólicas e drogas e destruição de patrimônio privado a festa se torna ÉPICA, inesquecível e incomparável. A fotografia é feita com uma filmadora de mão, além de celulares e câmeras distribuídas entre os convidados, tentando parecer um documentário e nos fazendo interagir com o filme. Algo que realmente deve ser considerado é a trilha sonora, que foi muito bem escolhida e é uns dos fatores que bombam a festa. Tido como um possível "Se beber não case" para adolescentes o filmes está longe disso, na verdade ele copia outros como "Superbad - É hoje". O estranho é que mesmo assim o enredo é bem pobre e o final é realmente ruim, simplesmente acaba.

       Mas mesmo assim você deve assistir? Com certeza. É tudo bem louco e sem a mínima integridade, mas é totalmente jovem e depois de assistir você fica com a sensação de querer curtir um pouco mais a vida, se estressar menos. Do ponto de vista cinematográfico e cultural o filme pode ser um lixo, mas a vida não é só sobre sabedoria, hehe. E não podemos fingir que infelizmente essa não é a realidade atual do jovem, porque é. Por outro lado, li algumas críticas ásperas dizendo que o filme não tem nenhuma lição, mas discordo, a maior lição é sem dúvida: não faça festas em casas, elas são destrutivas e sempre aparece mais gente do que deveria, haha. Mas talvez a maior questão seja: até quanto você trocaria por uma noite?













Por Julia Cruvinel

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Meia-noite em Paris



 Se imagine passeando pelas ruas de Paris e ao ouvir as badaladas que indicam meia-noite tudo se transforma: você volta ao passado em uma década que você realmente gosta, sua “década de ouro”. Sim, é esse o enredo do filme “Meia noite em Paris” do Woody Allen. Esse filme recebeu várias críticas por ser bem parecido com o “A Rosa Púrpura do Cairo”, do mesmo autor, mas foi um sucesso de bilheteria e é realmente lindinho.
Para o protagonista, Gil, escritor de Hollywood que é razoavelmente bem sucedido e está passeando em Paris com sua noiva Inez, a década de ouro foi os anos 20 em Paris. Ele revive todas as madrugadas essa época quando ouve as badaladas e conhece personalidades como F. Scott Fiztgerald, Ernest Hemingway e Pablo Picasso. Mas a grande sacada do filme é quando Gil começa a perceber que o presente é subestimado e o passado é sempre valorizado por nós do presente, isto é, ao chegar aos anos 20, percebe que as pessoas dessa época gostariam de viver na Belle Époque (1880 a 1914) e ao chegar nesta última, percebe que os que viviam nela queriam viver na Renascença (séculos XIV, XV e XVI). 
Se fosse para eu escolher um período seria década de 60 em Liverpool, rs. E você, qual escolheria? (comente se quiser!) Enfim o filme é fofíssimo, cheio de lugares maravilhosos (afinal é Paris né?), cheio de romance e um pouco de história. Mas no final fica a dúvida: será que estamos em constante decadência, já que sempre consideramos o passado melhor? Será que no futuro, nós do presente seremos vangloriados mesmo com tantos escândalos sobre corrupção, poluição, entre outros? Será que no fundo o homem é sempre o mesmo, apenas o meio que muda?  


Por Julia Cruvinel

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Capitu traiu ou não?

"Capitu era mais mulher do que eu homem."
Olá! Um dos meus escritores prediletos é Machado de Assis e sua obra “Dom Casmurro” é a mais madura e um de seus melhores livros. A história é contada pelo narrador-personagem Bentinho que tenta unir as duas pontas da vida, isto é, morte e nascimento. Desde pequeno ele é apaixonado pela vizinha Capitu, que é caracterizada como tendo “olhos de ressaca” – que eram misteriosos e energéticos, ameaçando avançar a qualquer momento. Em diversos momentos do livro o autor mostra como Bentinho era um menino e Capitu uma mulher, sempre dissimulada e esperta. No começo eles têm um empecilho à união, por uma promessa da mãe de Bentinho que o havia jurado padre, mas depois eles se casam, têm um filho e vivem felizes. 
"... olhos de cigana oblíqua e dissimulada. [...]
Olhos de ressaca? Vá de ressaca"
Mas tudo muda no dia em que Escobar – melhor amigo de Bentinho – morre e Capitu é a que mais chora no velório. É difícil aceitar isso como um argumento, afinal existem diferentes reações nessas situações de morte, mas ele também começa a achar que seu filho – que inclusive tem o nome de Ezequiel Escobar como homenagem – é muito parecido com seu falecido amigo. E o drama está montado: Bentinho começa a ligar vários pontos – de maneira bem subjetiva – que confirmariam a traição de Capitu. Bentinho quase se envenena, quase envenena a criança e por fim manda o menino e a mulher para a Europa a fim de  continuar vivendo de aparências. O mais estranho é que em nenhum momento os dois conversam abertamente sobre isso, deixando o mistério sem solução. Depois, Bentinho termina sua vida triste e solitário, recebendo a alcunha de Dom Casmurro – “Dom” dando um tom de nobreza e “Casmurro” por não ter alegria. 
"Capitu temia a nossa separação, mas acabou aceitando
este alvitre, que era o melhor."
Na minha opinião, Capitu não traiu Bentinho, tendo este criado toda essa doença de ciúmes. O livro é totalmente parcial, subjetivo e isso deve ser levado em consideração. Também sou contra aquele clichê "quem cala consente". Mas meu argumento final é: Capitu e Escobar insistiam na ideia de que quando crescessem, Ezequiel e Capituzinha (filha de Escobar) namorariam, anulando a chance de serem irmãos. 
E você, o que acha? (se quiser postar um comentário defendendo sua tese, rs). De qualquer maneira, talvez nem o próprio Machado de Assis tenha decidido se Capitu era culpada ou não e o que realmente importa do livro não é a traição, mas sim a vida de aparências, o “jeitinho” brasileiro, o ciúmes cego e o interesse que todos tinham pelo Bentinho e sua mãe que eram ricos.

"Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se
 mais ou menos das pessoas que perde; mas falto
eu mesmo, e esta lacuna é tudo
."
Também, não podia deixar de dar um destaque para a minissérie da globo “Capitu”. Ps. todas as fotos são da série. Não sou muito fã da globo, mas com certeza, essa minissérie merece destaque. O roteiro é bem fiel ao livro, a fotografia explora ângulos e sombras, a trilha sonora é espetacular e o cenário é todo em um teatro. Também vale ressaltar o jogo atual x clássico, sendo que a atriz que protagonizou Capitu tem uma tatuagem que é mostrada. A minissérie tem apenas 5 episódios de 45 minutos. Vale a pena conferir tanto o livro como a série!  



Por Julia Cruvinel

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

The Suburbs

Olá, como todos sabem a banda Arcade Fire se destaca pela variedade de instrumentos utilizados. Num estilo indie rock, denominado por muitos críticos como "rock barroco" (destaque para a música "Rococo", com o perdão do trocadilho), atingiram seu auge ao ganharem o prêmio de Álbum do Ano no 53nd Grammy de 2010, desbancando muitos nomes antes dados como possíveis vencedores, como por exemplo: Lady Gaga, Katy Perry e Eminem, surpreendendo todo o público! A banda, desde 2003, vem trazendo grande contribuição para o mundo musical, e atualmente também para o cinema. No ano passado, um curta-metragem dirigido por Spike Jonze foi inspirado no álbum "The Suburbs", o filme conta uma história confusa sobre uma cidade, no Canadá, que vive confrontos políticos e ideais, sendo o foco da narrativa um grupo de jovens afetados por um problema tão alheio à eles, que no fundo só querem se divertir e ter uma vida normal. O filme é narrado em primeira pessoa (pelo próprio vocalista da banda, Win Butler) mostrando lapsos e cortes que representariam a memória falha de uma história, que aconteceu em sua adolescência, contada por um adulto. Para um melhor entendimento do curta, é indicado ouvir o álbum  que apresenta passagens do filme, até melhor descritas.
Coloquei os links onde vocês podem assistir o filme, e o trailer. Espero que gostem =)
Filme: http://vimeo.com/34709733
 

Por Júlia Coelho

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dogville, quid pro cuo e estoicismo

Olá! Escolhi esse tema, pois abrange amantes do cinema, da filosofia e de linguagens, espero que gostem. Dogville é uma co-produção entre diversos países que busca retratar o ser humano como mesquinho, egoísta, cruel e arrogante. Apesar da simplicidade da filmagem – o filme todo se passa em um galpão e cenas cotidianas, como abrir portas, foram cortadas - é sem dúvida uma obra prima que retrata de maneira eficaz o interesse que move toda uma cidade. Tom, o personagem principal, é um covarde, que não assume suas próprias responsabilidades, e vive em uma cidade em que as pessoas agem apenas por suas necessidades físicas e seus próprios interesses. Grace, personagem que aparece de forma misteriosa, acaba se tornando escrava física e sexual em prol de que a cidade conserve seu segredo. Apontado como antiamericano – afinal Dogville se localiza nas Montanhas Rochosas e retrata o período da crise de 29 – a população poderia pertencer a qualquer outra cidade ou qualquer outra época. O filme sofre influência do estoicismo, corrente filosófica que enfatiza a ética como o principal foco do conhecimento humano e, contrariando o enredo, defende que todas as pessoas são manifestações de um espírito universal único e devem ajudar-se uns ao outros. Outra referência do filme é ao “quid pro cuo” frase latina que significa “tomar uma coisa pela outra” e, em línguas derivadas do latim compreende confusão. O irônico é que a frase que pressupõe engano de compreensão foi erroneamente assimilada pelo inglês como “troca de favores”, e é está troca de favores que rege as relações de Grace com a população de Dogville. O filme, apesar de monótono, é um dos meus preferidos e vale a pena ser visto, por envolver discussões filosóficas e referências consideráveis, e pode mudar sua visão de mundo. 

 - Você pode fazer o Download - 
                                                                
                                                                   Por Julia Cruvinel


Revolução Tropical

Olá gente! Estreando minha entrada no blog, quero falar um pouco sobre o documentário "Tropicália" que já está em cartaz em muitos cinemas, contando um pouco, com imagens reais, sobre esse movimento musical que foi tão influente na década de 60! A revolução que Caetano, Os Mutantes e muitos outros promoveram no meio musical contou com a participação de muitos, resultando em canções interessantíssimas  Coloquei o link do trailer aí para vocês terem uma amostra!

   

Por Júlia Coelho.