sexta-feira, 5 de outubro de 2012

1984


Nesse post vou falar um pouco sobre o livro 1984, do escritor George Orwell. É um dos meus livros preferidos e mesmo tendo sido escrito em 1948 (inversão da data com o título), ele se enquadra perfeitamente na realidade atual. Uma curiosidade é que o escritor ficou tão obsessivo para terminar de escrever, que acabou contraindo uma febre altíssima, que o levou a morte.

O livro é uma previsão de Orwell, tendo como contexto um país, a Oceania, que vive sob regime autoritário: a ditadura do Grande Irmão. Nessa sociedade as condições de vida são bem precárias: há racionalização de comida, roupas são dadas uma vez por ano, o mau cheiro é regular e a guerra sem motivo aparente é constante. O personagem principal é Wilston, um funcionário público que tem uma vida monótona, privada de prazeres e o mais importante: ele é proibido de pensar. Para controlar o pensamento, são instaladas em todos os ambientes “teletelas”, isto é, microcomputadores que filmam, escutam e reproduzem programas governamentais o tempo todo. Qualquer desvio de conduta, até a mínima expressão de descontentamento, pode fazer com que a pessoa vá para o “Ministério da Paz”. Falando nele, a ditadura se organiza em quatro ministérios com títulos irônicos e dá-se ênfase para: o “Ministério da Paz”, que repreende a possível oposição com tortura e o “Ministério da Verdade”, que falsifica a história e decide o que pode ser veiculado pela mídia. Também, se qualificada como opositora, a pessoa tem o seu passado apagado, como se ela nunca tivesse existido. 
       
       Outro ponto a se ressaltar é a indiferença entre todos, nessa sociedade não existem sentimentos, amigos ou família, uns denunciam os outros, existindo só o medo de ser pego pela “polícia do pensamento”. O desenrolar da história se dá pela caracterização desse regime opressor que decide por tudo. 
       Uma das ferramentas do governo para manipular é construir um novo idioma: a novilíngua, que reduz sensivelmente o vocabulário, tornando-se impossível se expressar, isto é, se você sente fome, mas não tem uma palavra ou uma ideia concreta para isso, é como se não existisse, certo? E nesse idioma tem-se a palavra que resume o livro: DUPLIPENSAR, que significa controlar a realidade. Mas Wilston é diferente e tenta mudar a realidade, pagando o preço por isso. O final é surpreendente e não tão feliz, o que ratifica o modo realista de se escrever. 



Wilston em seu quarto e a teletela
Os famosos programas “Big Brother” não têm no titulo mera coincidência com o ditador. Sim, o Big Brother é o Grande Irmão que vê tudo e controla tudo, não sendo uma pessoa, mas uma entidade. A quantidade de reflexões acerca do livro é enorme e algumas redações, tidas como as melhores da FUVEST e do Enem, usaram o livro como base de discussão. Mas a verdade é: será que nós não somos controlados pelo Grande Irmão? E as “teletelas”, não são facilmente relacionadas com nossas tecnologias atuais? Será que nos é permitido pensar? É, parece que ainda vivemos no regime do Grande Irmão. 

Lema do governo: Ignorância é força, liberdade é escravidão e  guerra é paz


Por Julia Cruvinel


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